sábado, março 27, 2010

Oh! às 04:13 obtive um insight... tudo no mundo me pareceu tão cláro.
Assim como também fiquei sabendo que ao acordar amanhã... tarde... nada disso será lembrado.
E voltarei as mesmas indagações preguiçosas.

quarta-feira, março 10, 2010

Citações imaginárias 2

(...)
“Eu sou o terceiro aviso.
Eu sou a passagem de pedra.
Eu sou o vento que desviou a flecha.
Eu sou o frescor na fonte do desespero.
Eu sou a lágrima doce no olho d´água.
Eu sou a face oculta no centro da neblina.
Eu sou a lua que não mente mais.
Eu sou o mistério do cavalo pequeno.
Eu sou o rio congelado.
Eu sou o inesperado no caminho.
Eu sou o salão da fartura na casa de Nadhi
Eu sou o mel da boca de Airumá.
Eu sou o fogo do ventre de Iwaíra.

Quem é aquela que esperou empoleirada no templo do Jequitibá? Que separou os ansiosos dos indecisos e juntou os bravos? Que trouxe de volta a lança perdida no fundo do lago?

Eu sou a Coruja Cinza, senhora do caminho sinuoso, ouvinte da canção das nuvens, a sempre presente, o amor de mãe.”
(...)

(Trecho da introdução da canção Cunhã-ni-liata realizada pela chefe dos guerreiros Anú.)

domingo, março 07, 2010

Sussurro em plena queda... zum!


Minha velha senhora sorridente.
Avó das avós dos Deuses.
Tenho saudades.
Neste labirinto espiralado,
Me sinto por vezes perdido,
Me sinto por vezes acalentado.
Se me perco em teu suave beijo.
Caio, sem fim, na fenda obscura
Dos desejos nunca encontrados.
05/03/10

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Citações imaginárias

"-Nós somos um povo de machados e cavalos.
Pois para o tempo de paz, trabalhar e fazer prosperar o mundo.
Para que em tempo de guerra, o guerreiro seja veloz
e o golpe impetuoso.
Nós somos o povo destes vales e colinas.
E vivemos em paz, mesmo em tempo de luta.
Então pergunto:
Qual a sua demanda aqui na terra de meus ancestrais?"

(Chefe Dennar Barbafalha, efetuando as perguntas rituais para o jovem futuro Grande Rei)

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

tive de ctrlCctrlVar isso...


"A lembrança dessa terra imaculada está na memória das pedras, das águas e do sangue que corre nas veias de cada morador deste continente."
http://hernehunter.blogspot.com/

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Eu estou nesse momento me seguindo... espero não parar de repente e acabar esbarrando em mim mesmo!
Novamente...

Necessidade desejo....



Há necessidade de comunidade.
Sou ermitão nesse mundo denso, populoso e tenso. Navego superficialmente à sombra de minha, já rasa, popularidade. Chamo as forças do mundo para a dança. E apenas elas aparecem. Não faço nada e ainda assim me cansa. Quem me dera matar a saudade numa investida mútua de minhas companhias. Homens e mulheres dispostos a dançar como o vento e receber suas bênçãos. Homens e mulheres felizes em cantar à sombra das árvores e receber suas bênçãos. Homens e mulheres tendenciosos a amar e receberem suas bênçãos.
Desejo tocar o tambor e escutar suas palmas.
Desejo soltar a voz e sentir o uníssono.
Desejo dar um passo, e vibrar com a força do passo da pluralidade.
Desejo muito. Grito ao poço...
Há necessidade de comunidade.

23/02/10
Sê bem vindo a dança...

sábado, fevereiro 20, 2010

Só sei que foi assim...

Depois do nascer do sol um sonho me veio.
Cenas de bordas enevoadas.
Andei só numa terra silenciosa.
Passei sem trégua pelo portão pequeno
Passei sem hesitar pelo portão forte
Subi a escada espiral como se reta fosse.
Parei, sereno, ante o terceiro portão.
Bati, gentil o suficiente, à porta.
Não havia porteiro a me perguntar quem era.
E você abriu sem perguntar.
Eu era um intruso no tempo e no espaço.
E você, anfitriã, falsamente surpresa.
O refúgio da sacerdotisa estava cheio.
Poderia reconhecer cada um pelo nome.
Era um festim de carne, cerveja, vinho e cereais.
Eu, intruso, não entrei.
Fiquei, portanto, à soleira, na mira de todos.
Ofereceu-me comida.
Ofereceu-me bebida.
Aceitei.
Mas só depois de minha tarefa.
E assim foi.
Você veio e os outros ficaram.
O terceiro portão se fecha e fico de fora.
Só, contigo.
Trocando palavras, me desculpo.
Trocando gestos, assumo.
Eu, pequeno, sou segurado pelos ombros.
Faz-me segurar teus seios e dizer palavras
De poder.
Talvez juras, talvez revelações, talvez confissões.
E sem inimigo eu saio.
Não sei se voltei ou entrei a terceira porta.
Só sei que o sonho que tive foi esse.
Cumprido o objetivo,
Tudo se desfaz em névoa e brisa.
Acordo.

19/02/10

Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Encontronimimesmo...

Vívido,
Sonhei com o touro da floresta.
Negro como a
Sombra da montanha do desespero,
Elevava seu estandarte místico.
Como a lua que nos sorri, de prata amolada,
Os chifres se estendem alto
Tal qual aquela foice.
E Ele me esperava.
Um ser de pura potencialidade. Pura e latente
Possibilidade.
Ritualmente pintado, bufa.
Tremo em meus joelhos escoriados.
E permaneço.
Há sangue em minhas pernas
E secura em minha boca.
Palavras se amedrontam
E desaparecem de minha voz.
De cascos pesados, Bufa.
Minha lança perdida não me serve.
Minha flauta partida não me serve.
Meu punhal maligno
não me serve.
Só eu, pintado por meus irmãos mortos.
Urro, em puro deleite, a canção da morte.
De pé, fitando-lhe os olhos,
Bufo.

Bruno Oliveira – 15/02/2010

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Eu sou terra
Do barro
panela

Eu sou água
Do caldo
sabor

Eu sou fogo
Na brasa
da lenha

Eu sou ar
No aroma
vapor
(2008)

domingo, fevereiro 07, 2010

Entre colunas...

Atravesso a ponte para o culto no templo. Ignorado por um sem números de cisnes, chega-se à ilha sagrada (Para mim ao menos.). E o sol, que invicto já me saudara antes, agora é saudado. Por colunas amigas e gentes nunca vistas, caminho, paro e descarrego meus fardos. Fardos de arte e guerra. De pulso firme e dedos delicados. Sacerdotes, Deusas, curiosos, perdidos, achados e desencontrados vão se acumulando na fugaz sobra de sombra. “Festa estranha, com gente esquisita”... Ainda bem.
A sabedoria de quem até mesmo não se sustenta na oratória nos chega com interesse. O Outro, aquele do outro lado, tem a vez de falar, e nós, do lado de cá podemos finalmente escutar e entender. Tal templo onde misturamos pré com pós conceitos e tecemos nossas realidades ao pé da grande árvore, enraizada no pulso teimoso da mãe de Gaia, é a casa das intrigas. Das erupções dos jovens à desistência dos velhos faz-se o corpo de tal bando. A casa desse Deus é o caos. Meu Deus, ainda bem.
Não há tempo de fuga. À luta! Quê luta?
Não escape, escute as palavras não ditas. Eis o que é novidade. Até mesmo o visco derrota a alvorada caso a confiança supere a habilidade. Ai, nesse instante, a turba eclética, torna-se um povo. Pagãos na pequena ilha. Antigas serpentes.
De gente boba e de gente sábia é composto este ninho vibroso. Santos e seus deuses únicos tentam expulsar-nos. Mas quem varre terra, cava mais fundo e acha cada vez mais terra. Da raiz exposta brotam-se ramos.
O caminho de muitos culminou no centro da ardilosa colcha, filtro de nossos sonhos, da tecelã habilidosa, nossa maleável realidade.
E com o fim do dia, a ponte nos espera pela volta. Atravessamos a ponte despedindo-nos uns dos outros. E há a oportunidade de novos encontros e cultos nos templos do corpo alheio. Encontros inevitáveis acontecem. Obviedades ocorrem entre desejos redescobertos. Mentes embriagadas descansam, se afastam, deixam as coxas sedentas de um deus atuar. Ah meu deus... ainda bem?
Ainda não tenho resposta.

Imramma

Na virada da nona noite avisto uma ilha
Suspensa por três pilares
guardada por cento e oito gatos
dispostos em volta de um caldeirão
Quando um gato mergulha no caldeirão
Nasce um cisne da água cinzenta
Quando um cisne mergulha no caldeirão
A égua dá cria no fundo do oceano
E o tridente alcança o céu
O céu que cai de arqueadas pernas
Montando no mar.
Friccionando terra e céu.
Criando outra ilha.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

o que é ser forte...

Disciplinar-se e entender-se é treinar. E hoje treinei. Senti meu corpo dolorido e avaliei meus pensamentos. Refleti. Suei.
Cambaleio meus passos frouxos, reequilibro.
Devaneio em pensamentos frouxos, Focalizo.
Atos mal feitos... como redimir?

domingo, novembro 08, 2009

Frigg, Hel e Freya

Mimirquemeajude.......


MestreDeGuerraPagâ.

sábado, outubro 31, 2009

Hoje

Eu só estou muito cansado.

sábado, outubro 10, 2009

Uma serpente ondula em minha pele.
Entre espirais, sua fina língua trifurca-se.
Do Veado, as coxas e a galhada dançam.
Como a velha arvore ao som do vento.
A coruja, o corvo e o carcará cantam.
Cada um em sua hora mágica noturna.
Minha pele, o tambor trêmulo, se estica
ao contrair da carne. Em pleno golpe violento.
Da mão. Da lança. Da palavra. Do olhar.
O ato destemido, sem urro ou grito. Canção.
Meu escudo pintado, curvas de minha arte.
Que se confundem pictóricas em meu contorno.
E com o desenho-rastro de minha dança.
Sorridente, extasiado, me movo.
Há no fundo do mundo uma serpente.
De penas sujas e chifres afiados. Sua flauta.
Minha flauta. Doce e grave soa uníssona.
Com a grotesca trombeta de guerra.
Devoradora da carne e da paz da noite.
Enluarada sobre minha testa, levanta
Acorda, sacode-se e sussurra malícicas
Linda, nua e musa. A Porca Branca.
Pragueja em conjunto à minha investida.
Me leva, como se montado em rodas de
Um carro de guerra, trono do medo.
Megera, minha rainha, alucinado luto.
Morro.
Ou amo.
Como espirais sem destino ou fim.
A arte traçada na pele-alma em mim.
São essas trilhas que de quando em quando
Ando.

Carcará Avoador dos Caminhos Tortos
Bruno Oliveira
10/10/09

sábado, outubro 03, 2009

Esboçod´algograndeporvir.

Houve um tempo que ele, o caçador, perseguia o dragão.
Em busca do radiante tesouro guardado e da casta donzela prometida.
Perdido por anos em seu rastro.
Reconhecendo as pegadas nos pastos,
marcas de garras nas árvores e trilhas de fumaça dos vilarejos arruinados.
Aprendeu a caminhar em silêncio, a manejar o arco e a lança.
Soube quais folhas da floresta poderia comer, quais serviriam de veneno.
E quais, em doses diferentes serviriam para uma ou outra coisa.
Persistência, paciência, serenidade e coragem foram algumas das suas virtudes aprimoradas.
Até que no ermo, cerrado de montanhas, a fera se aninha em seu castro.
É quando, como o vento, o caçador se vira e caminha.
Homem e monstro sorriem.
E houve um tempo em que ele, o caçador, voltou pra casa.

Bruno - MisticoGaiteiroZen

sábado, setembro 12, 2009

Cumadifulô...

Senhora do céu largo e profundo.
Estás horizontada feito um sorriso descomunal.
Vaca. Que caminha e vaza, de tão cheia, em tua via.
Puxando sem esforço as rodas de nossos ciclos.
Onde as fiandeiras, doces e amargas velhas trançadeiras,
Tecem nossa sorte.
Da infinita estatura, torna-se invisível.
Mentira. Mentira essa dos que fingem não enxergar.
Ó o traço de seu toque. Sentir, reverberando, o bum.
De seu tambor.
Barro e argila. Terra doce que me exala o vapor.
Perfume de flor.
Teu corpo, eu morto.
Conversa de apaixonado sim.
Ínfimo, pasmo nas dez direções.
Onde te vejo...
Fera, nua, linda, má, triste, viva, serena, dinâmica, terrível, minha.

Bruno – 12/09/09

quinta-feira, setembro 10, 2009

São como metais da fanfarra na dobra do mundo
Será longe o soar de meu desejo tímido.
A pele, santa pele, retumbante suará,
Tremerá e meus pés perderão o chão.
Cairei na rota do céu, sem amparo, sem corrimão.
Avisto o senhor do batuque.
Lindo.
Atravesso-o, ele que alucinado dança e pulsa
Zabumbento frenético com seu tambor de pele rasgada.
Minto.
Caio.
Minto.
Pouso.
Chego à tenra realidade.
Deslizo à curva e deito.
Aninhado por ela. Ela. Invisível, infinita divisível.
Me aninha no leito placento.
Materno, desenvolvo.
Eterno.
Movo, de novo.
Grito.
Alto como metais da fanfarra na dobra do mundo.
Minto.

07/09/09
Bruno