sábado, outubro 10, 2009

Uma serpente ondula em minha pele.
Entre espirais, sua fina língua trifurca-se.
Do Veado, as coxas e a galhada dançam.
Como a velha arvore ao som do vento.
A coruja, o corvo e o carcará cantam.
Cada um em sua hora mágica noturna.
Minha pele, o tambor trêmulo, se estica
ao contrair da carne. Em pleno golpe violento.
Da mão. Da lança. Da palavra. Do olhar.
O ato destemido, sem urro ou grito. Canção.
Meu escudo pintado, curvas de minha arte.
Que se confundem pictóricas em meu contorno.
E com o desenho-rastro de minha dança.
Sorridente, extasiado, me movo.
Há no fundo do mundo uma serpente.
De penas sujas e chifres afiados. Sua flauta.
Minha flauta. Doce e grave soa uníssona.
Com a grotesca trombeta de guerra.
Devoradora da carne e da paz da noite.
Enluarada sobre minha testa, levanta
Acorda, sacode-se e sussurra malícicas
Linda, nua e musa. A Porca Branca.
Pragueja em conjunto à minha investida.
Me leva, como se montado em rodas de
Um carro de guerra, trono do medo.
Megera, minha rainha, alucinado luto.
Morro.
Ou amo.
Como espirais sem destino ou fim.
A arte traçada na pele-alma em mim.
São essas trilhas que de quando em quando
Ando.

Carcará Avoador dos Caminhos Tortos
Bruno Oliveira
10/10/09

sábado, outubro 03, 2009

Esboçod´algograndeporvir.

Houve um tempo que ele, o caçador, perseguia o dragão.
Em busca do radiante tesouro guardado e da casta donzela prometida.
Perdido por anos em seu rastro.
Reconhecendo as pegadas nos pastos,
marcas de garras nas árvores e trilhas de fumaça dos vilarejos arruinados.
Aprendeu a caminhar em silêncio, a manejar o arco e a lança.
Soube quais folhas da floresta poderia comer, quais serviriam de veneno.
E quais, em doses diferentes serviriam para uma ou outra coisa.
Persistência, paciência, serenidade e coragem foram algumas das suas virtudes aprimoradas.
Até que no ermo, cerrado de montanhas, a fera se aninha em seu castro.
É quando, como o vento, o caçador se vira e caminha.
Homem e monstro sorriem.
E houve um tempo em que ele, o caçador, voltou pra casa.

Bruno - MisticoGaiteiroZen

sábado, setembro 12, 2009

Cumadifulô...

Senhora do céu largo e profundo.
Estás horizontada feito um sorriso descomunal.
Vaca. Que caminha e vaza, de tão cheia, em tua via.
Puxando sem esforço as rodas de nossos ciclos.
Onde as fiandeiras, doces e amargas velhas trançadeiras,
Tecem nossa sorte.
Da infinita estatura, torna-se invisível.
Mentira. Mentira essa dos que fingem não enxergar.
Ó o traço de seu toque. Sentir, reverberando, o bum.
De seu tambor.
Barro e argila. Terra doce que me exala o vapor.
Perfume de flor.
Teu corpo, eu morto.
Conversa de apaixonado sim.
Ínfimo, pasmo nas dez direções.
Onde te vejo...
Fera, nua, linda, má, triste, viva, serena, dinâmica, terrível, minha.

Bruno – 12/09/09

quinta-feira, setembro 10, 2009

São como metais da fanfarra na dobra do mundo
Será longe o soar de meu desejo tímido.
A pele, santa pele, retumbante suará,
Tremerá e meus pés perderão o chão.
Cairei na rota do céu, sem amparo, sem corrimão.
Avisto o senhor do batuque.
Lindo.
Atravesso-o, ele que alucinado dança e pulsa
Zabumbento frenético com seu tambor de pele rasgada.
Minto.
Caio.
Minto.
Pouso.
Chego à tenra realidade.
Deslizo à curva e deito.
Aninhado por ela. Ela. Invisível, infinita divisível.
Me aninha no leito placento.
Materno, desenvolvo.
Eterno.
Movo, de novo.
Grito.
Alto como metais da fanfarra na dobra do mundo.
Minto.

07/09/09
Bruno

domingo, agosto 30, 2009

Calmaria e tempestade
Me seguro como posso
Balanço o ranço de minhas virtudes
Envergo o mastro de minhas possibilidades
Sopro a vela que se estufa trêmula
Me confunde e se apaga

Onde deveriam estar?
Aquelas coisas verossímeis que seriam tácteis
Realidades últimas, Absolutas.
Atrasadas ainda não embarcaram
Pff! Capitão... -sim?
Por mim, perderam a viagem.

Feliz, minha barcarola afundará
Num tempo de curva
Tangendo minha estrutura
Satisfeito, sorrindo à perspectiva
De um turvo caminho
De incerta alvura.


30/08/09

quarta-feira, agosto 26, 2009

Ahhh que..



Há algo na indiferença que me faz revidar.
Um quê de tortura contra tortura.
Coisa ruim, meio sem nexo.
Será Maldade...
De quem?

A carência de um homem feito(?) é feia.
A pirraça aqui é demência.
Que moço esdrúxulo.
Foda-se ele né.
È bobo.

E é Assim que
me torno escroto

Carcará Avoador dos Caminhos Tortos - 26/08/09

sábado, agosto 15, 2009


Cerrado os olhos
Não há mais correnteza
Nem rio


Bruno
2..9

Poeira vermelha e sequidão
No caminho solitário me procuro
me acompanho

Bruno A. Oliveira
foto: Chapada dos Veadeiros - S.Jorge

Me vê um Capuchi-Do sem creme por favor?

Foto: Bruno Oliveira
na mesinha do pjota

petifemmememuór (affe...)

É Ela!
Memoriane
Fantasma de meu desejo
Têm noites, tantas noites
Que te chamo pelo nome
Pequenina memória feminina
Estou errante
Estou errado
Você me ouve?

16/07/09

arte em guardatudomenosnapos


" Tem gente que sem mais
nem menos, assim à toa,
habita de tempos em tempos
as altas vilas do céu. Salta
sem medo pela curva do
horizonte e não cai. Entre
as manadas de estrelas, ele,
protetor da lua cheia, o caçador
das tenras nuvens, não cai.
Avoa."

"B
ru

NO

2..9"

quarta-feira, julho 29, 2009

Anglotraduzionepassádica

Dark eyes


Deepest, darkest eyes, eyes of hot desire,
Eyes with passion's flame and of beauty rare,
I do love you so, but I fear you so,
Seems I met your fateful gaze on a fateful day!

The white tablecloth is all soaked with wine,
The hussars all sleep in a slumber sleep,
But one does not sleep, he drinks still champagne,
To the dark eyes of a gipsy girl.

Had we never met, I'd not suffer so,
I would have lived my life smiling joyously,
You have destroyed my soul, dark and lovely eyes,
Carried off forever my happiness!

Deepest, darkest eyes,...

sexta-feira, julho 24, 2009

Aos zelosos braços estelares....

Zelosa Mãe oculta
que teces o casulo que
nutre minha forma pupíla (Pupa,púrpura.. impura)
Sou nascido e vivido
Hoje estou em vão
Jogo constantemente
Minhas forças num poço dos desejos
E ele não me realiza
Não faz eco
Apenas silêncio... muda escuridão
Me parece
que riquezas não me valem
estradas não me servem
oporunidades se vão
Tento ser o herói de minha história
mas caio sempre de vítima indefesa
de meu Eu-vilão.

Bruno Alves de Oliveira
(24/07/09)

domingo, julho 12, 2009

Insultado homem poste
Anda, cego, pra qualquer direção.
Duro, se engana de mole.
Mau, se afasta o bom.


Bruno Alves de Oliveira

Eis que em selfegestativa... nasce



Brunhilda Dentóidica
Di Gestiva Detráz
Prafrentis


foto: Maria Elizabeth

Desatos de invernada

Eu, recluso, me nego a deixar de ser intruso em teus desejos.
Recuso, todavia, a selar-te com aquelas cordas.
Que, desde já, te digo... nunca foram minhas.
Recuso-me a sentar na carreta que segue a estrada reta.
De belas paisagens me encanto em meu caminho torto.
Danço. Eu e meus pés. Minhas mãos e minha sombra.
Hoje tenho uma relíquia. Meu caldeirão da abundância.
Minha velha tumba, que faz pouco tempo, me regenerara.
Por tal, sou vivo ai. Em tua alma. Meu desejo

Bruno,
neto de duas corujas.
(Sem Ponto final... )

domingo, junho 07, 2009

´Retrógradas carniválias pedagógicas


Tien gou - A persistente montanha com seus cristalinos rios entra em erupção trazendo as mais fortes ventanias aos mais altos salões das tempestades.

Orra! Orra! Are, are, vae!

Alguma síntese sai por ai....

Ainda vivo o caminho das trilhas íngremes, tortas, tortuosas e hilárias.
Onde cada passo dado, três penas de minhas asas caem.
Três pelos de meu bigode se encrespam.
Três dias de meu passado somem.
Duma trança de fios embolotados as devifiandeiras marionetam...-me.
O que desejam fazem.
O amor, quente deleite de minha arqueomâezinha, me faz, parado, dançar.
De cara fechada, sorrir.
De sono profundo, viajar.
De repente entoado, soar. A trombeta do satisfeito.
Mas ainda sim. Assim eu sou. Amarrotado.
Minha carne de leve toque deve ser fraca. Não apalpo o desejo profundo.
E me escapa.
Diante das emoções conflitantes, minha guarda baixa.
E a fera, que consegue olhar para os dois lados, afasta.
Minha festa, de farta és falsa.
Sem flechas, meu pássaro já sem penas, escaças.
Não alcanço a pressa da fera, que nunca faria presa.
Que me faz, com meu tempo morto, tanta falta.

Bruno Oliveira
Carcará Avoador dos Caminhos Tortos
07/06/09 - 14:00

sábado, junho 06, 2009

Faloeseios


A Terra é sagrada. Todo pagão escuta, fala e lê isso frequentemente. Cantamos à sua generosidade e damo-lhes nomes que se tornam divinos. Cultuamos tais nomes e eventualmente cada nome ganha um novo significado e personalidade distinta. Personalidades até mesmo antagônicas! Assim é a Terra. Mãe e Pai, vale e montanha. Das janelas de minha casa, no Sana, um distrito da região serrana de Macaé, eu vejo estas duas paisagens guardiãs: Um pico e um vale entre morros. Não há como sabermos qual o nome era dado a essas duas figuras pelos Nativo-Brasileiros que por aqui viveram, mas hoje em dia são chamados de pico Peito do Pombo e de Vale do Santana (mais conhecida como Vale das Pirâmides). Um é o sentinela, atento lá do alto com sua altura privilegiada, como um gigante pássaro negro empoleirado. Um totem fálico, pico, pássaro. Considerado um índio gigante sentado em observação desde eras remotas por alguns. Localizado à oeste, onde o Sol morre em determinada época do ano. É a paisagem-símbolo do Sana. A outra, as “pirâmides” do Sana é o Vale do Santana. Na mitologia cristã, Santana (Santa Ana) é a mãe de Maria, a avó do cristo. São dois morros quase idênticos que vistos do centro do distrito são como duas pirâmides colossais unidas. Projetam-se como mamas de uma giganta e entre eles desce um córrego tendo o mesmo nome. E é à margem deste córrego, o vale das Pirâmides, que moro. Se localizam à leste e o sol nasce entre os morros em determinada época do ano. Então o que tenho? Eu, como pagão que crê na Deusa e no Deus seu consorte, me sinto privilegiado. Posso dizer que durmo embalado, literalmente no seio da Mãe. Poderia até mesmo fazer uma analogia ao desconcertante (Para alguns) Baphomet já que temos num mesmo “corpo” os seios e o falo. E bem no umbigo disso tudo se estabeleceu o centro do Sana, o arraial. A terra é o corpo da Deusa. Das runas que retiro das pedras dos rios, das cascas de arvores, do caroço de abacate, ou do barro moldado, não vejo diferença. Tudo é raiz. Que nos conecta diretamente com o coração, a mente e o útero da Grande Mãe...

quinta-feira, junho 04, 2009

Na estrada... o caminho é incerto

Eu não posso te ver
Eu não posso te ouvir
Você existe?

Eu não posso te sentir
Eu não posso te tocar
Você existe?

Eu não posso te provar
eu nada posso
Você realmente existe?


(Traduzido e adaptado....)

terça-feira, maio 19, 2009

Ochi chyornye
(Russo Tradicional)

Ochi chyornye, ochi zhguchie
Ochi strastnye i prekrasnye
Kak lyublyu ya vas, kak boyus' ya vas
Znat' uvidel vas ya ne v dobryj chas


Ochi chyornye, ochi plamenny
I monyat oni v strany dal'nye
Gde tsarit lyubov', gde tsarit pokoj
Gde stradan'ya net, gde vrazhdy zapret


Ochi chyornye, ochi zhguchie
Ochi strastnye i prekrasnye
Kak lyublyu ya vas, kak boyus' ya vas
Znat' uvidel vas ya ne v dobryj chas


Ne vstrechal by vas, ne stradal by tak
Ya by prozhil zhizn' ulybayuchis'
Vy zgubili menya ochi chyornye
Unesli na vek moyo schast'e


Ochi chyornye, ochi zhguchie
Ochi strastnye i prekrasnye
Kak lyublyu ya vas, kak boyus' ya vas
Znat' uvidel vas ya ne v dobryj chas

segunda-feira, maio 18, 2009

É ela
Cúrvea dama do céu noturno
Negra tatuada de estrelas
Teu ventre luminoso, luna
Ilumina eu
Este, de espectro idoso

Minhas mãos, calejas
Na pele ainda vivapulsante
De vosso tambor
Rombudo elegante
Totem de meu sangue
Ancião reveloso

Dama do céu noturno
Larga, de horizonte
A horizonte
Embarca tudo
Meu centro
Teumbigo-minhamorte
Minha fonte

Ouça, rainha nua
Sou jovem!
Da ciranda chuvosa da lua
Admiro, estudante
A evolução percusiva
De meus passos deselegantes.

Sinuosa serpente do mistério
Serei eu também
Teu véu?
Que quando na sacra hora acordas
Estarei eu, mais ninguém
Como Réu.

Detrás do tambor alegre
Ancestral e profundo
Culpado pelo pulsar
Velho de eras
Trago esta imensa tempestade
Deusa, dê-me este mel
De tua cintura
Meu festejo
de fim de mundo

(18/05/09)

já em Abril..

Nós somos o todo que há de inexistente.

Sustentados pela fugaz tensão interna

que nos torna diante de nós mesmos

dementes.

Talvez como se fosse por encanto

Tivesse o susto entrado e banido

-de novo- a mente.

E vós que por enquanto veste

a máscara ardente do mito que mente

É abraçado ao todo e por completo

Por algo assim

tipo eu. Ausente.


(04/09)

Vontades de Maio

Pertenço à minha vontade

Minha vontade é escrava

Aí contida, é liberdade

Que á tranca eu voava


Num plano alto desejava

Te miro no passado desejoso

Das mil vezes que errei

Todas, acertavas.


Diante das grades, fico

Amoado, gargalho rios

Irresistível senda, grito

Fico

Mas minhas asas passam.


16/05/09

domingo, maio 17, 2009

Amanacy - Mãe da chuva

Amaná chuva

Vem cá mamãe pegar

Não larga ela de teu colo

Não deixa a chuva aqui chuá

Amanacy minha mãe

E mãe da chuva

Minhas mãos estão negras

Pra fuligem de fumo

Fogueira e festa

Amanacy deixa Jacy olhar

Vem cá dançar

Vem cá cantar

Mas não deixa a chuva

Cair nesse terreiro

Neste chão pisado de terra

Pois farei festa o dia inteiro

Banquete de dança agarrada

Bebemos no calor do fogo

Os cantos de meus avós lembrados

Entoados no meio de riso e choro

A fertilidade farta que te alegra

Tamborzada, chocalho e coro

Mas amanhã mamãe

Solta a criança

Deixa chover e chuá

Que vente e me molhe

Do terreiro faça lama

Amaná mirim virá dançar

Lave minha casa

Afogue a fumaça do braseiro

Dilua o licor da taça

Faça chuva o dia inteiro

Que a felicidade de terra seca

É virar um lameeiro!


17-05-09

-/-

Quando indeciso entre as matérias da alma

Meu coração acocora-se e chora

Pressentindo a guerra das lâminas cegas

Dores de preguiça lancinante

E parto-me sedento

Em pequenas fatias de saudade

Apontadas em direções opostas

Conflituosas

Com margens sinuosas que se entrelaçam

Ah demente sedência que me calafria

As serpentes que se amam

Mais eu, mastro teu

Minhas serpentes se amam

E, comigo

Danam.

16/05/09

terça-feira, maio 12, 2009

Inintrajornadadivinescabardicaoraculosa

Antes de acordar, sonhei três vezes minhas despedidas.

Quando a Autoestima caiu de bicicleta, sozinha, na noite escura, o Autocontrole tentou ser equilibrista sem rede.

Lembrei-me dos antigos mestres não citados. E me esqueço de seus nomes. Lembrei-me do senhor obscuro falando-me de amor. Aquele que eu fui à tempos. Minha máscara do passado. Terei eu, dessa, uma na próxima?

Pois In intrajornada divinesca bardica oraculosa, o grão, da espiga cai.

11:22 - 12 de maio 09

terça-feira, março 17, 2009

Recados ao vento



-"Uma pessoa fora de seu centro,
é como uma folha ao vento;
voa sem direção..."

- Uma folha ao vento

decidida cavalga o ar.
Não seria o ideal
uma pessoa sem centro,
tendo para si
todas as direções
em que deseja
voar?

Sakkidatsu Ryu Ninjutsu

domingo, março 01, 2009

Sakkidatsu Ryu Taijutsu

Na história do homem a experiência é ditada pela observação da natureza. Os termos “firme como a montanha” e “veloz como o vento” são exemplos da ligação simbiótica homem-natureza. Em certas modalidades de artes marciais essas observações vieram de encontro aos elementos naturais estudados em algumas doutrinas orientais: Terra ,água, fogo, ar e o vazio(jap. chi, sui, ka, fu e ku, respectivamente). Identificar, se familiarizar, aprimorar e se apropriar de tais elementos-arquétipos para uso na vida cotidiana é a proposta...

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Rito de passagem...





Juro pelo fogo de minha alma, achei que ia morrer.
Ela me olhava com aqueles olhos cristalizados e sentia o frio medo da absoluta solidão. Era como se mesmo eu estivesse me abandonando à sorte. Eu não entendia como, mas ela agora era uma rainha, uma Deusa da morte, a que desteçe as almas. Seu rosto branco feito a lua era minha única luz. Era como se eu estivesse recém-nascendo ou recém-morrendo. Aquele rosto de todas as eras, luminoso e pálido, era meu túmulo, meu túnel da morte, minha luz no fim da vida. Seus olhos-janela negros me mostravam o que viria após a luz. Somente escuridão.
E o ruído da morte me fez mais vivo do que nunca. Era o som da espada desembainhando-se e a impactante sensação do fim. Minha pele embolotou-se toda num arrepio. Calafrios incessantes ondulam e ecoam por minhas entranhas.
Tudo se apaga, os sons dos morcegos, dos gotejares e do vento, a luz do rosto medonho. Não se sabe onde estamos. Não se sabe se há chão sob os pés.
Até que apenas dois olhos me aparecem no breu. Os mesmos olhos-janelas. Sinto como se meu corpo estivesse em queda livre. Caindo no poço incrivelmente fundo daqueles olhos. Eles estavam me engolindo! Já me preparava para o impacto no chão de olhos terríveis quando, de súbto, tudo mudou violentamente.
Eu, em pé, sentia um desespero que não entendia. Percebia que não havia caído. Estava assustado. Os olhos d´Ela estavam no mesmo lugar de sempre. Estava confuso. Minha alma era o caos. Como se todo o universo dançasse em minha cabeça. Estava vivo.
Até que percebi a mão magra retesada em meu pescoço. – Viva você que sabe o que é morrer! - Ela me disse. As mãos se afrouxam de minha garganta e a onda de calor me invade. Volto a escutar os morcegos, o gotejar e o vento. Olho e estou só. Amanhecendo numa gruta embrenhada na densa mata. Sobrevivi.

sábado, novembro 29, 2008

Das Facetas descobertas

Urubuaçú empoleirado no pico do mundo.
Pai dos abandonados à sorte.
Pai dos homem-onça caçadores.
É o que caminha a ponte da morte.
Vermelho, amarelo e preto.
Da garramolada, o corte.
Pena preta que me pousa.
Do bico afiado, furo forte.

Carcará avoador dos caminhos tortos.
Rastreador do vento norte itinerante.
Só, num mundo de caça e presa.
Corra caça veloz! Vem ele avante!
Do cinza e negro ele volta.
Focado, caminha galante.
Num vôo raso ao alvo.
Vaga o mundo. Amante.


Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã
29/11/08 - 22:12

sexta-feira, novembro 28, 2008

Imram Artwr do Banquete Divino

Arcturius guardião da torre
Senescal do salão dos sonhos
Bardo poeta do quatrante sul
Imram sagrada
Echtrae traiçoeira
Voe com Amergin
Lute com o Cão de Culan
Dome o javali selvagem
Rei Urso, que tua jornada
Repleta de inconcebíveis ameaças
e aventuras sobrenaturais.
seja feliz.

Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

domingo, novembro 16, 2008

uma vontade




Noite fresca
Desejo caminhar na mata
Sem borduna, sem espada
Só com cajado e tigela
Beber da fonte
Dormir na relva

Bruno Oliveira
foto: antigo tronco na trilha do Peito do Pombo

sábado, novembro 15, 2008

Desabroche, Ó Universo.

Num círculo de pedras, uma criança dança. Ele beija a pedra do sol que nasce e a pedra do sol que morre. Ele beija a pedra do norte quente e a pedra do sul frio. E a diante a pedra da lua que nasce está a criança que mamou nas tetas da lua cheia. Ela é a nova criança, da lua nova que cresce e se forma a cada instante. Ela também quer o beijo. E ele, menino, que também mamou nas tetas da lua, nasceu há instantes no vale em que o sol renasce. Renasce sempre entre as coxas das belas montanhas. Ele, entusiasmado e medroso corre para o beijo. Ela corre e ele cai. Ela, menina que se transmuta. Ele, menino que se assusta e quer crescer. O sangue escorre do joelho caído. Ele, agora impetuoso, brilha o sol em tua alma, avança n´ela. Ele, novamente cai. Ela, sorrindo e admirando o esforço do garoto, não deixa transparecer seu sentimento. Ela o quer. Ela o quer mais que tudo no mundo. Ele, o desejado rapaz, fruto da grande árvore da vida, brilhante filho do Sol-entre-as-montanhas. Ele, apenas ele, é o que ela quer. Mas ele tenta, corre, pula num salto felino, mas não consegue agarrá-la. Ela sorri cada vez mais excitada com o crescimento do rapaz. Ela, que é senhora de si, filha das senhoras-de-si de todas as épocas. Antiga criança, nova mulher. Ele vê isso. Ele, que foi criança, antes, uma promessa, hoje, comprido homem. Sua espada é jogada ao chão. Sua flauta, de som doce e viril entoa o chamado. E Ela, que até aquele momento era mulher. Agora em Deusa se forma. Na dança ancestral ela rodopia. E o mundo vê as estações, conhece a primavera pela primeira vez. Vê as flores brotarem ao pé das pedras. As árvores crescerem a fundo pela terra e a fundo pelo céu. O mundo gira e o vento nasce e descobre a dança. Cai uma semente e nasce um cajado. Ela senhora dançarina das feiticeiras, toma a flauta do homem. O homem encontra seu cajado. Sua barba longa com miçangas e tranças, seu corpo talhado por trabalho e tatuagens. E golpeia a terra com seu cajado. Ela tocando a flauta, e ele tocando o coração do mundo. Nascem e morrem os animais, surgem e desaparecem montanhas, florestas e oceanos. Surge o tambor. Treme terra, chove chuva, queima fogo, venta vento e o mundo gira, alucinante em todo perfume de todas as flores do mundo.


Bruno Oliveira - Agora que entendí esse texto, posso publicar...


O Ar inspiro
sereno
Movo a roda do destino

Bruno Oliveira

domingo, novembro 09, 2008

Estrofes rituais...

Senhor de cascos e chifres.
Eu, feito fogo e intenção
Da taça e da faca
Firmes em minhas mãos
Desenfermo.


Bruno oliveira - nove de novembro 2008 - Desenfermando...

sábado, julho 12, 2008

Me encaro e digo:



Sou um ser do Improviso

Parindo-me constantemente
Eclodo dos mais diversos ovos
Broto das variadas sementes
Nem sempre como o vento
Às vezes como o fogo
Vezes fraco, vezes lento
Acabo que chego a metas

Que nem tento

Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã
Foto: Eu, tocando flauta doce no peito do pombo, Sana

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Ninguém comenta no mey Blog...

... e não sei se isso é bom ou ruim.


Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

terça-feira, novembro 20, 2007

A cavalgada pavorosa so senhor da mata com os seres da madrugada.

Pico, espada, burduna e mata.
Lanceiro frenético na dança sagrada.
Roda e gira. Canta e grita.
Nú e pintado, correndo à caça.
Corre presa, corre alada.
A flecha lançada, à noite trepassa.
Lua Senhora que na mata lhe via.
Sorria e lia lo fio da vida.
Com teu pé na terra, na lama e na água.
Na brasa e no fogo, no vento dispara.
Casco pesado na folha velha.
Nem se ouvia, nem se ouviria.
Sussurro de medo no bafo da noite.
Mudando de rumo o mistério da foiçe.
Com galhos folhados, chifres floridos.
O senhor da mata me conduzia.
No breu do escuro, horda vadia.
Terrível cavalgada.
Madrugada, e depois...
Belo dia.

Bruno Alves de Oliveira - MestreDeGuerraPagã (Confeccionando a máscara...)

domingo, novembro 18, 2007

Relâmpago, parte um



"Os raios e os trovões aparecem com constância nos mitos das civilizações do passado. Profetas, sábios, escribas e feiticeiros os interpretavam como manifestações divinas, considerados principalmente como reação de ira contra as atitudes dos homens. Nas mãos de heróis mitológicos e de divindades eram utilizados como lanças, martelos, bumerangues, flechas ou setas para castigar e perseguir os homens pecadores." http://www.inpe.br/elat/relamp.conceito.mitos.htm


Castigar homens pecadores??? Devo estar lascado né... O que vai ter de "..., martelos, bumerangues, flechas ou setas..." para me "castigar e perseguir"?


Affe...


Que Marte não entre nessa moda...

Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

É Guerra no Ar!


Tempestade ( A dança do trovão)
Cordel Do Fogo Encantado

Quando o vento bate forte
Que aspira o ar castigado
Estremece o pulmão da seca
Tempestade
Tempestade
Pai, estou nessa terra
Querendo plantar
Afim de colher
Homens do ar não descem
Mulheres do ar não descem
Crianças do ar
Velhos do ar
Sempre mandam recado
É de relampiê, é de relampiê, é de relampiá
(salve a dona do trovão)
É de relampiê, é de relampiê, é de relampiá
(ô mulher, eu tô aqui)
É de relampiê
A alma, a água, o alvo
Pela variação instintiva
Para não virar carvão
Tempestade
Tempestade
Pai estou tão sozinho
Querendo plantar
Afim de colher
Homens do ar não descem
Mulheres do ar não descem
Crianças do ar
Velhos do ar
Sempre mandam recado
É de relampiê, é de relampiê, é de relampiá
(salve a dona do trovão)
É de relampiê, é de relampiê, é de relampiá
(ô mulher, eu tô aqui)
Se eu pudesse parar os elementos
Se eu pudesse trazer paz ao mau tempo
Mas eu não posso
Não devo
Não quero
Tempestade
Tempestade
Tempestade
Para saber mais sobre a banda: http://cordeldofogoencantado.uol.com.br/
Foto: autor desconhecido

quinta-feira, agosto 30, 2007

Eu Sou!


Somos os Apavorantes Guerreiros Nús!!! Uma horda pagã de homens e mulheres que vestem apenas suas armas, escudo e pinturas de guerra!
Este é nosso santuário, em homenagem aos guerreiros nus da antiguidade que caíram no passado e foram para a Terra do verão, para Asgard ou voltaram para nosso mundo.
Viemos para viver, beber, comer, cantar, dançar, amar e lutar!
Viemos nascer aqui em Hybrasil e aproveitamos a oportunidade!

Aqui todos são amigos se não são inimigos! Bem.. Até os inimigos tem o direito de comemorar a vida... ah! Que se dane! Não estamos guerreando! Quem tem o espírito de um guerreiro nú que venha! E será bem vindo! Somos ótimos amigos, lutadores e amantes!

Somos a Horda dos Guerreiros Nús! No chamado da trompeta de guerra, brandimos espadas, levantamos os escudos e gritamos aos deuses e espíritos anccestrais!
Tremam! Somos os Apavorantes Guerreiros Nus!

segunda-feira, julho 30, 2007

sábado, julho 28, 2007

Quero uma máquina de Chocolate quente no Imbolc!


Frio, neblina e colina
O pasto úmido e o musgo vivo
Cogumelos brancos
Cogumelos dourados
O vale é fértil e florido
Ando, canto e bato
Cajado na terra ribeirinha
Pé na lama
E ele canta e canta
E sólo, se encanta.
Noiva e Noivo
Anseio ao vosso dia
Tranças são realizadas
A fogueira alimentada
Soará à Primavera
Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

quinta-feira, julho 26, 2007

Amor de mãe, diurno, noturno, eterno..



Amor de uma Mãe
A Estrela que deu Luz à Lua
Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

Carniválias póstumas




domingo, julho 22, 2007

Memórias dos Festivais de Inverno...

"A Terra é nossa Mãe
Devemos cuidar bem Dela
A Terra é nossa Mãe
Ela cuida muito bem de Nós"
Do Caldeirão dos Mistérios
Ishtar, que retorna do Submundo,
Vespertina e jovem,
Do leite Materno ao Mel,
Dela nascem estrelas, a lua e as flores
E o Som da criação pode ser Ouvido
Que haja Paz, Paz, Paz.
Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã
Foto: Souên 2005

sábado, julho 21, 2007

Memórias das festas de Inverno

A Chapéuzinho é filha do Caçador
Não se esqueçam disso!
Chapéu branco, pena de gavião, trigo na boca e suspensório.
Onde mais eu poderia andar assim?
Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

Memórias das Festas de Inverno

O Inverno Nasce com o Deus Moribundo
A Terra clama e grita sedenta
Venha semente eterna!
Venha Senhor de si.
Noivo cadaver, forte, corajoso, sábio e medonho!
Esta é sua casa, tuas raizes.
Cria raizes e exploda em folhas em meu ventre.
Cria raizes e me nutre de sementes.
Selvagem rei das bestas.
O Hades é teu corpo.
O Proibido está pintado em seu escudo.
Venha, minha força, representante da natureza,
Erga-se Pico! Inunde! Queime! Vente!
Hei de tremer!
Jequitibá e Carvalho!
Pilares de raizes.
Baobá e bambú!
Eu sonho no Mundo.
Acordado no Submundo.
Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Baforada com Erva-do-Rei

Arthur,

Rapaz... Sonhei contigo pela primeira vez. Adivinha só... você me BENZEU! ahahaha acredita! Fazendo sinalzinho da cruz e tudo mais! È cláro que era uma "benzação" satirizada mas lembro que rimos muito com isso e acredite, me renovou a coragem no sonho, que era um sonho em que eu estava numa situação delicada.

Obrigado por aparecer.


Ps: Fui Na Trash com a Ish! Deu pra sentir a Libação mental na ocasião? Deu né...

Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

Queda, pulo, salto e vôo (Ou sobrevivendo sempre)


Corro, pulo, grito e rosno.
Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

Arte: Pulo, nanquin no papel, bruno

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Sana x SP(Ou, Salve Jequitibá!)

Tá me dando uma vontade de abraçar uma Árvore...

Tô meio carente de verde. Sei que apesar de Sampa ser uma grande cidade, tem algumas Àreas verdes. Meu sogro cria orquideas, bonsais, ervas e etc... mas Sampa não é o Sana.
Quaro abraçar duas arvores em especial e por incrivel que pareça, não sei seus nomes. uma semente de uma dessas arvores estava germinando quando peguei a estrada pra SP. Desde Ostara tinha essa semente num vaso. E proximo a Litha ela brotou. Espero que estejam cuidando bem dela.
Estou aqui faz 3 semanas e só agora estou ficando animado pra sair. Até pouco tempo me parecia que estar em Sampa era como estar numa imensa sala de espera. Como dizia o premê: São Paulo tem que mudar, eu não mudo.
Bem, Olhando umas fotos de arvores, me animei um pouco, percebi que em casa, lá na serra de macaé, onde judas perdeu as botas e ficou com as meias furadas de fora, tenho raízes.

Tenho Raizes.

Ps: pra quem é da cidade e não sabe o que é uma Árvore, digo o que eu vi num documentário da TVEscola: "Se você atropela uma planta,e é o carro que sofre os danos, É provavel que essa planta seja uma Árvore."

Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

Foto:Jequitibá

terça-feira, outubro 31, 2006

presente pra minha mulher...


Toma amor... um "meipolinho"...


feliz beltane de novo!

Joaninhas também celebram o dia de bel né...


Imagem: Maypole, de Alison Ashwell
para ver mais... recomendado para quem é pagão e tem filhor... ou gosta de ilustração (http://www.alisonashwell.com/)

Isso está me cheirando a Beltane...

Foto: Mosaico romano - Marte encontra Rhea Silvia

Por falar em Beltane

FELIZ BELTANE!

Que seu travesseiro seja macio e fresco. Que as sementes que jogamos pelo mundo brotem e frutifiquem. Que a chuva caia na terra seca. Que a enxada penetre. Que a fogueira queime e o vento sopre. Que haja dança. Que haja dança na chuva. Que haja dança nas colinas verdes de minha terra. Que as crianças pulem nas poças. Que o martelo bata o prego. Que a lança seja arremeçada. Que se embainhe a espada. Que se afiem os chifres do touro. Que se ouça o trovão rasgando o céu. Que a lua cresça. Que a lua mingue. Que a lua cresça. Que o mastro seja erguido. Que seja erguida a casa de alguém. Que seja erguida a casa de muitos. Que a fogueira acessa continue queimando. Que da fogueira saiam tochas. Que as tochas ilumiem os candeeiros. Que os candeeiros sejam apagados. Que o caçador erre o alvo. Que o javali veja o caçador. Que a jaguatirica esteja prenha. Que seus filhotes gerem filhotes. Que nossos filhotes tenham filhotes fortes. Que a força do verão seja a força do homem. Que a água esteja fresca. Que o mergulho lhe traga cura. Que teu par participe. Que você participe com seu par. Que os pares dançem novamente. Que dançem em volta das pedras. Que dançem em volta das árvores. Que dançem banhados de cachoeira e mar. Que cantem e toquem. Que a mão bata na pele do tambor. Que as mãos dos amantes pousem nas suas peles. Que o homem da pele de urso e o homem da pele de lobo encontrem a paz e suas mulheres. Que as mulheres gozem. Que as mulheres gozem muito. Que as mulheres criem mulheres que gozem. Que os homens gozem. Que os homens gozem repetidas vezes. Que os homens gozem nas mulheres. Nos Homens. Em sí proprio. Que a humanidade saiba gozar. Goze do sexo. Goze de rir. Goze com todos os deuses. Que As Deuses Gozem. Que aquele arrepio na espinha venha e que cada um de nós tenha algúém para abraçar e se perder no tempo. Que a fogueira arda. Arda muito e sempre. Que a roda gire. Alucinante e radiante como o sol e a lua. Que haja vinho. Que haja bolo. Que o punhal seja altivo. Que o cálice esteja cheio. Que se consuma o ato. Que se derrame o vinho. Que caia o sangue. Que haja vida. Que haja luz. Que haja sombra. Que o fogo da fogueira ilumine tuas jóias. Teu corpo nú. Tuas tatuagens. Que Haja o que está por vir. Que todos nós sejamos agraciados por nossos méritos. Tenha um prazeroso sabá. Dia de marte, Noite de beltane. Aja.

Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

Qual é o teu beltane?

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Fotos: 1 minuto de pesquisa Google

terça-feira, outubro 17, 2006

Bel a la Bel


Quando acordo e abro a janela de meu quarto, vejo dezenas de tons de verde. Verde-grama-ao-sol, verde-copa-de-jequitibá, Verde-musgo-de-casca-de-arvore, verde-folha-de-bananeira e por ai vai indo.
Quando vou á padaria, passo por um pomar, um "bosque de pedras", um vale com um riacho e uma ponte, um pasto, pelo topo de uma pequena colina, Arvores e mais arvores, tudo isso numa mesma trilha.
Quando volto do trabalho á noite, volto por esta mesma trilha, se for lua cheia, sem lanterna, mesmo a luz de um poste de luz ao longe atrapalha nossa vista. Se for lua nova, as estrelas, essas meninas, iluminam o horizonte, me dá direção e ainda um pouco de luz para se ver o caminho.
Quando amarelam as folhas do caquizeiro e do cajázeiro, chegou souên.
Quando vejo o cajazeiro nú, uma imensa galhada e a lua cheia cheia como fundo, sei que é época de Yule.
Quando Floresce o pessegueiro, a laranjeira, chegou Imbolc.
Quando brotam os ramos de minerva, as flores da goiabeira, os lírios grandes vermelhos e pequenos brancos sei que é chegado o ostara.
A amoreira está dando frutos, as laranjas e os pêssegos estão crescendo... Beltane já se aproxima.
Vejo isso todo dia. toda lua cheia é uma festa. Todo banho de cachoeira é uma benção. Todo abraço á minha amiga arvore e minha amiga pedra é uma demonstração de amizade.
Toda vez que desce sangue na lua nova, é o poder emanando de minha Esposa, Deusa familiar "vivadivinaestrela" de minha casa.
Quando toco o tambor, atiro a flecha, golpeio meu cajado, o mundo pulsa como meus passos.Acho que moro num lugar sagrado, como deveriamos ver todos os lugares em que passamos. Na cidade ou no campo.
Fazer pela sua morada, nossas trilhas, nossos amigos e parentes, atentar pela saude de nossas mães. Não é preciso ser um eloquente, um ativista eclogico, um médico sem fronteira, um promotor do paganismo e etc.. basta viver, sentir e dançar a dança dos deuses.
É... beltane vem vindo.
Amanhã dia 18 é dia de Herne, o caçador.
Dia que minha filha faz um ano.

Boa noite

Foto:http://www.lexicon.net/steven/wheel/beltane.htm

segunda-feira, setembro 25, 2006

Equi Nostro


Sim, houve tempo... Sempre há tempo para pensar no oportuno fim do recolhimento. Apesar de minha espada apontar também para o céu mais-que-estrelado e os nomes divinos saltarem de meus lábios, sejam elas, Deusas, de onde forem.
Em Ostara eu vi
Vi uma gata da rua, do mato e do mundo parir seus filhotes. Estes filhotes que sairam do recolhimento uterino, foram lambidos, lavados e acariciados pela lingua e entraram para o recolhimento materno nesse mundo de perigos.
Vi, finalmente, brotar as folhas da ameixeira. Que no inverno podaram quase até o tronco. Deixaram-na nua, maneta, perneta, galheta e folheta bem no momento de amadurecer suas ameixas.
Vi as folhas renovadas do Cajázeiro e do Pé de Caqui, que antes deram um espetáculo de chuva de folhas amarelas no outono.(Desta vez eu como um cajá.)
Vi também grandes lírios vermelhos desabrocharem logo aqui ao lado. As flores de laranjeira aparecerem e sumirem, dando vez aos pequeninos frutos que de lá vão crescer. Tornando-se redondos, vitaminados amarelos qual o Sol, no Verão.
Vi uma flecha ser lançada bem longe no pasto.
Vi projetos antigos brotando e dando botôes de oportunidades.
Não vi a lua minguando e se renovando.
Mas vi a neblina e senti o cheiro de minerva, dama da noite, lá na mata.
Vi Esta mensagem que me fez escrever.
E essa música que eu não conhecia, gostei de ver.
Em Ostara eu vi e veria sem saber de Ostara.

Uma boa primavera a todos.
Abraços.

Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã

sábado, setembro 16, 2006

Vida Longa! Feliz reencontro... algum dia.


Artwr ap Cernunnos ap Ceridwen, Que tenha sido de tua vontade e que tua essência viage na mais perfeita harmonia. Hoje esperarei a Lua e falarei contigo. Ela que está minguante, te mostra o caminho para a nova e para o novo. Ela também carrega nossas preces, apelos, ritos e energias. Estes serão nossos presentes, tuas vestes, tua espada, escudo e armadura extras, caso precise.
Se presisa se um colo, Ela Lhe dará
Se desejar nos encontrar, Sempre será bem vindo.
Se desejar ficar, terás tua rede, teu sol de um verão fresco.
Se, por acaso, desejares voltar, venha me dar um beijo.

Bruno Oliveira - MestreDeGuerraPagã - 16/09/2006, 17:41


...


O Pai se vai.
Mãe, não chore
O Pai se vai pelas suas mãos
O velho talo cai

Da grande foice vêm os novos grãos
Que do velho-das-galhadas caem
Sementes, para seus destinos saem
Logo semearão
Ou transmutar-se-ão em pão

Com os antigos Ele dança
Com os antigos dançamos
Com os espíritos travessos
Dos bosques, da montanha
Do mar, dos campos

Senhora e mãe do mundo
Artesã da noite
A que corta o véu dos mistérios
O pai se vai dançando
Fica um novo broto
Um novo ramo

Abóboras e morangas
Lanternas de boa sorte
Um brinde à Velha Dama!
Espantalho para o mal

Abóboras e Morangas
Farol dos perdidos
Luz que faz do velho
Em breve, criança!
(Bruno Oliveira - Num Samhain desses onde a poesia aflora...)

quarta-feira, setembro 13, 2006

Reeditãnciabilidade 1

Não me venha / Fazer-me ver no escuro / Pois meus olhos / São-me nulos // Não me venha / Fazer-me enxergar no Breu / pois meus olhos / Nem são meus (Bruno Oliveira, em meados de 2001 ou 2002)

(Ilustração: Detalhe de Kamil, original, por Bruno Oliveira, antes mesmo de 2001)



sexta-feira, setembro 08, 2006

Adoro-te feliz assim!

Eram as primeiras horas do sol no dia, a cinza da fogueira soltava fumaça e eventualmente uma brisa revelava a brasa sob a fuligem. Ele, filho do vento e da chuva, um dos que detém os chifres. Tocador de flauta, gaita e tambor, despertando ainda da noite das fogueiras. Onde com mais uma multidão de espíritos, femininos e masculinos, dançou ao redor do fogo, da grande pedra-mãe onde está agora recostado, do Jequitibá-Rei, que abençoou a todos, e da nascente das Deusas, que também estavam lá a dançar. Ele, que acorda espreguiçante d´um sonho de sussurros, se levanta sobre a pedra-mãe e procura algo, ou melhor, pesca algo no ar com seu pensamento afiado feit´um anzol e diz ao vento: - Quem eras tu? – Somente o farfalhar de um adormecido Rei-das-árvores-do-sul, o ranger do bambuzal na margem da nascente, o borbulhante nascer das águas na fonte das Deusas e o flop-flop-flop de uma pequena borboleta vermelha que passa raspando em seus cílios são as respostas. - Ai Está! – Ele diz enquanto tenta agarra-la sem sucesso, desequilibrando, escorregando seus cascos no orvalho da pedra-mãe, caindo sentado na pedra fria e rolando até o chão. Deitado de costas, de braços e pernas estendidos, uma outra borboleta aparece e pousa em seu, um pouco peludo, nariz.– Ah, te pego! – Ele fecha as duas mãos rapidamente, pegando nariz e tudo! – Ahá! – Afastando vagarosamente as mãos, vê-se apenas um nariz, um pouco peludo, entre elas. E pousadas, em seu casco da perna esquerda a tal rubra borboleta e no da direita uma outra verde-laranja. – Mas que! – Ele levanta num salto e leva um baita susto quando sua vista fica turva. Pois tantas borboletas assim só se vê numa corte real das metamórficas aladas. E era isso mesmo o que estava acontecendo! Cada uma delas era uma fada, uma donzela, uma dríade que dançava no grande ritual da noite passada. – Oh Deuses! – E como passavam rápido por ele! Até que ele a viu, uma borboleta colorida, cor de arco-iris e prateada, rodeada por todas as outras. – É ela! É ela! – Diz enquanto dança de felicidade. Mas elas, as borboletas passaram voando céleres e felizes e o deixaram para trás. Ele sabia que era Ela, a Deusa colorida de prata, borboleta rainha, que havia dançado com ele na noite anterior, sob o grande “Jequitibão”(Assim era como os íntimos, tolos ou os corajosos chamavam o Jequitibá-Rei). E era ela que deitou com ele á luz da fogueira-mestre. – Não se vá! Amor! Amor! – De braços estendidos, desolado, ele apenas queria vê-la mais uma vez, e guardar sua imagem para sempre em seu coração. - Ah senhores do mundo! Eu quero vê-la! Muito! Muito! Muito mesmo! – Ele chora e joga sua flauta na brasa. Eis que como um presente, o impacto da flauta com a brasa irradia um clarão imenso, como o de mil fogueiras do próprio Sol invicto! Cego momentaniamente (E muito assustado!) ele tateia o chão á procura de seu instrumento. Ele acha algo parecido, mas não o mesmo. Ele olha(com o olhar ainda enevoado e meio roxo) e percebe do que se trata: Uma luneta! Ou melhor, como estava escrito em pirografia divina: Uma Borboneta! Ele olha através de sua lente minúscula na direção do cortejo real das borboletas, que já alcançava o horizonte...

sábado, agosto 26, 2006

Artwr Ap Artwr




Sátirus Arcturius

Quem é esse que corre com as patadas de Pã?
E essas dríades que dançam à sua volta?
Um sorriso e um cuspe.
Um beijo e um trago.
A fumaça do cachimbo com as más ervas.
É o grande Deus de Nicéia. Êxtase em retrato.

(Dionice em azul - Bruno Oliveira)
Vem, vem, vem arthur... Hoje eu ví o nascer da Lua. Crescente chifre. Ela cresce e você descansa, se cura e se guarde. há ainda muito trabalho debaixo desse Sol que há por vir. há hainda muito vinho com teu nome, muitas trilhas coms suas pegadas e muitas bocas em teus lábios.
Imagem retirada do blog do Fu(http://www.neoarteatrocidade.blogger.com.br/2006_03_05_archive.html), criada por Paola

domingo, agosto 20, 2006

Ela que tecia...


Ciclópica senhora
Dama Lua luminosa
À noite, um útero.
Uma sinistra caverna
Espiral do caos.
Da ardilosa teia.
Da rede, da manta.
Que teces habilidosa.
Cintila a prata na trama.
A alma de cada estrela.
(Bruno Oliveira)
Foto: www.astrosurf.com

domingo, julho 23, 2006

Eu gosto de Karnak

Tá frio aqui
Tá muito poluido
Eu tô triste
eu tô borrecido
Tá feio aqui
Tá muita poluição
Tá fedido Fumaça de caminhão
Eu tô cansado da cidade
Eu quero ir pro mato
tem de tudo lá
porco galinha pato
tem carroça
tem cachorro
tem carro de boi
correguinho sempre tem
Juvenar Juvenar
Vem tirar o leite
São 6 horas da manhã
Juvenar Juvenar
Juvenar Juvenar
Vocês que fazem parte do Karnak
que temem a fumaça do motor
percebam que o melhor da vida
é saúde é comida é amor
você tem que estar bem consigo mesmo
prá isso não importa o lugar
pode ser até debaixo desta ponte
ou num palácio lindo em Madagascar
pode ser num planeta bem distante
ou na boleia deste caminhão
tá frio
tá tempestade
tá chovendo
muito mais triste
é a chuva do nosso coração
Foto: megalitos de carnac (Eu também gosto de Carnac)
letra: Juvenar, por KarnaK

terça-feira, julho 18, 2006

sexta-feira, julho 14, 2006

Família Caracol Rumo a Sampa

Vou dormir que amanhã é dia de viagem. Vou encontrar meu amor e minha filhota amada em SP.

Que do Senhor dos Velhos Chifres guarde minha morada e a Mãe de todas as sementes abençoe estas lindas terras.
Pomares, hortas, pastos... Vou sentir saudades do velho índio pescrutando o horizonte atrás dos montes.

Sana... Estampos indo pra Sampa...
Mas voltamos logo!
















Foto: Topo do Peito do pombo (Indio Sentado) entre as névoas.

domingo, julho 09, 2006

Já se passam as estações

O inverno chegou.
Ele não bate à porta.
Ele passa pela fresta da telha.

A semente jaz.
Geme na terra fria.
Num grão, a nova esperança.

Lua cheia e estrela.
Ah preciosa lenha seca!
Toda noite, viva fogueira.

Amarelas, caem.
Do caqui e do cajá.
Aqui e acolá. Caducas folhas.